A chuva chove...

A chuva chove mansamente... como um sono
Que tranqüilize, pacifique, resserene...
A chuva chove mansamente... Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine...

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene

... Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha...
Paço de imensos corredores espectrais,

Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
Revira in-fólios, cancioneiros e missais...

Cecília Meireles

2 comentários:

Eti disse...

Selminha, amiga querida, tudo lindo por aqui, como tudo que vc faz. Nossa, fiquei encantada e os meus olhos agradeceram muitíssimo rsrs.
Boa Sorte! Namaste!

Fernando Antonio Pereira disse...

Interessante o blog. Abraços de Luz.