
Meus olhos andam sem sono,
somente por ter avistarem
de uma tão grande distância
De altos mastros ainda rondo
tua lembrança nos ares.
O resto é sem importância.
Certamente, não há nada
de ti, sobre este horizonte,
desde que ficaste ausente.
Mas é isso o que me mata:
sentir que estás não sei onde,
mas sempre na minha frente.
Não acrediteis em tudo
que disser a minha boca
sempre que te fale ou cante.
Quando não parece, é muito,
quanto é muito, é muito pouco,
e depois nunca é bastante...
Foste o mundo sem ternura
em cujas praias morreram
meus desejos de ser tua.
A água salgada me escuta
e mistura nas areias
meu pranto e o pranto da lua.
Penso no que me dizias,
e como falavas, e como te rias...
Tua voz mora no mar.
A mim não fizeste rir
e nunca viste chorar.
(Porque o tempo sempre foi
longo para me esqueceres
e curto para te amar.)
Cecilia Meireles
4 comentários:
Excelente poema. Cecília é o meu ídolo e a minha paixão.
Um abraço e tudo de bom
Bella la Foto!!
Ciao
Bella Foto
Le gambe della Ballerina sono
scolpite, e dicono molto per la postura assunta.
Ciao
Con gran Simpatia
Selma,
Sempre venho aqui ler as suas lindas postagens de Cecília, aliadas a belíssimas imagens!!!
Sempre uma maravilha!!
Beijos,
Reggina Moon
(Selma, meu link mudou:
www.versoeprosapoemas.blogspot.com)
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