
Como trabalha o tempo elaborando o quartzo,
tecendo na água e no ar anêmonas,cometas,
um pensamento gira e inferno e céu modela.
Brandamente suporta em delicados moldes
enigmas onde a noite e o dia pousam como
borboletas sem voz, doce engano de cinza.
Levemente sustenta a frágil estrutura
de verdade que o anima. E a cada instante sofre
de saber-se tão tênue e tão perto de ruína.
(Ó Verônica acesa em secreta paisagem,
tão esperada e tão amada em tristeza e ventura,
malgrado o peso dos enganos e saudades,
e do exército das despedidas!)
Cecilia Meireles
2 comentários:
Pára: fusos
nas entrelinhas
do tempo correndo
entre os dedos mágicos
onde o beija-flor
se perde nas pétalas
do abrir-janelas
saindo da escuridao
desse dia nebuloso
e mergulhando imenso
na neblina dos olhos teus
a me guiarem
feito cego pelo amor
e pelos carinhos
quando me consomes
pedacinhos por quais
e mais nos afundamos
feito esponja sugando
a última gota orvalhada
de tuas retinas perpendiculares
do segundo de um décimo
assoprando a vida a fora
e nós a dentro: um do outro,
como se o galo
gagueijasse os fusos
desnorteados horários
de um simples olhar
se amarrando
em um nó ocular
entre teu seio
e meus lábios
de beija-flor:
como é doce
te amar suavemente.
Beijos: milhoes deles.
Sérgio, Beija-flor-poeta
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Sérgio, beija-flor-poeta
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