Quero roubar à morte esses rostos de nácar






Quero roubar à morte esses rostos de nácar,
esses corais da aurora, esses véus de safira,
e antes que em mim também se acabe o céu das pálpebras.

Roubo as setas que vipassar sobre meus cílios,
- agora que o ar descai no espaço atravessado,
e antes que em mim também se acabe o céu das pálpebras.

E por dias sem fim, na imprevista memória
que o sonho lavra em pedras negras e rebeldes,
estranhas cenas brilharão, vastas e tímidas.

Este era o acaso a que serviram minhas lágrimas?
Esta era a doce escravidão da minha vida?
Isto era toda a tua glória - este resíduo?

E à morte roubo minha alma,apenas?


Cecilia Meireles

5 comentários:

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá Selma! Eis que apareces para nos brindar com a grande Cecília. Aceite o meu muito obrigado. Parabéns!

Como o meu nome é Furtado, espero que não te furtes em fazer-me uma visita.

Beijos,

Furtado.

Paolo disse...

Buon Ferragosto
a Te Selma

Paty Padilha disse...

Aqui tudo é LINDO!

Dalva disse...

Selma,

Sempre Cecília a nos encantar... teu blog, tuas imagens, tua formatação.. tudo lindo!

Bjs.
Dalva
(Flor ♥)

Crista disse...

Tudo bem?
Estou aqui para pedir desculpas pela minha ausência,creio que de agora adiante estarei mais presente...rsrsrsrs...isso se pararem de me sufocar com tanto carinho...rsrsrs...estou brincando!
Beijos cheios de ternura e muito carinho...