Só tu sabes usar tão diáfano mistério





Só tu sabes usar tão diáfano mistério:
trajo sem ruga, espelho dedicado ao sono,
estrela sobre a duna em hora ausente do Homem.

Que desígnio possuis? de que modo se prende
tua vida na terra, entre existências bruscas?
a que espécie de som teu destino responde?

Desdém da flor... - a voz terrena, escuta as rosas!
- ... teu lábio sobre a tarde é apenas a inquietude
de quem escuta, quem te espera, quem não te ouve.

Teus olhos estarão sobre nós, infindáveis -
ó tuneis do universo, ó caminhos serenos
que passaremos sem agoras e sem ontens?

Olhar eterno de sempre e nunca.

Cecilia Meireles

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