Ó luz da noite, descobrindo a cor submersa






Ó luz da noite, descobrindo a cor submersa
pelos caminhos onde o espaço é humano e obscuro,
e a vida um sonho de futuros nascimentos.

Eis uma voz - ah, rosa branca em negro plinto!
Eis uma sombra - a tarde a andar pelas areias.
Eis um silêncio - erguido céu de asas abertas.

Abro esta porta além do mundo, mas não passo.
Basta-me o umbral, de onde se avista o ponto certo,
o grande vértice a que sobe o olhar do mundo.

Fala impossível. Que conversam, na onda insone,
as formações de prata e sal que o oceano tece?
Que comunicam, seiva a seiva, as primaveras?

Palavras gastas de Morte e Amor.


Cecilia Meireles

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