
Escreverás meu nome com todas as letras,
com todas as datas,
e não serei eu.
Repetirás o que ouviste,
o que leste de mim, e mostrarás meu retrato,
e nada disso serei eu.
Dirás coisas imaginárias,
invenções sutis, engenhosas teorias,
e continuarei ausente.
Somos uma difícil unidade,
de muitos instantes mínimos,
isso seria eu.
Mil fragmentos somos, em jogo misterioso,
aproximamo-nos e afastamo-nos, eternamente.
Como me poderão encontrar?
Novos e antigos todos os dias,
transparentes e opacos, segundo o giro da luz,
nós mesmos nos procuramos.
E por entre as circunstâncias fluímos,
leves e livres como a cascata pelas pedras.
Que mortal nos poderia prender?
Cecília Meireles
Poesias completas, 1976.
5 comentários:
Me ha gustado mucho tu poesía...
Un beso.
É Selma! A Cecília está coberta de razão. Geralmente nas biografias somente aparecem as virtudes do biografado, e algo mais como: coisas imaginárias, invenções sutis, engenhosas teorias, tudo conforme a mesma falou. Afinal, Cecília será sempre Cecília.
Abraços,
Furtado.
Gostei muito de seu blog e gostaria de convidá-la a conhecer os meus.
Qdo. tiver um tempinho, visite:
• Maga Patateista: religião
http://www.magapatateista.blogspot.com
• Mol-TaGGe: vintage, brechós...
http://mol-tagge.blogspot.com/
• NosBlogs: notícias blogs
http://nos-blogs.blogspot.com/
• PhotoGraphyas:
http://phootographyas.blogspot.com/
• Spiritus Litterae: tudo sobre livros, leitura...
http://spirituslitterae.blogspot.com/
ABÇão
Margareth Duval
Visitava 'Dona Poesia' e vi seu convite. Identifiquei-me com seas escolhas. Elvis, Cecília, fotografia, a luz, o texto de apresentação... Parabéns! Visitarei sempre.
Aprendi a gostar de poesia lendo Cecília, que até hoje me emociona e encanta.
Grande abraço!
Postar um comentário