
Quero roubar à morte esses rostos de nácar,
esses corais da aurora, esses véus de safira,
e antes que em mim também se acabe o céu das pálpebras.
Roubo as setas que vipassar sobre meus cílios,
- agora que o ar descai no espaço atravessado,
e antes que em mim também se acabe o céu das pálpebras.
E por dias sem fim, na imprevista memória
que o sonho lavra em pedras negras e rebeldes,
estranhas cenas brilharão, vastas e tímidas.
Este era o acaso a que serviram minhas lágrimas?
Esta era a doce escravidão da minha vida?
Isto era toda a tua glória - este resíduo?
E à morte roubo minha alma,apenas?
Cecilia Meireles